domingo, 31 de dezembro de 2017

Dá-me asas... ainda preciso delas!


   No ano passado, quando partilhei convosco uma fase tão complexa e pessoal da minha vida achei que tinha a força necessária para deixar para trás esta sombra que teima em me perseguir, entrar em 2017 com amnésia e recomeçar a minha vida, feliz, objectiva, confiante e tranquila comigo mesma como já fui. Mas não...

   Fui confiante demais. Não ouvia ninguém, e estava decidida a mostrar que é possível vencer uma depressão sozinha, sem ajuda, sem medicação, sem resolver os problemas e que apenas, bastava convencer-me que não tinha nada e que é uma doença que uma pessoa só tem se quiser! E eu não queria, portanto não tinha...

   De um dia para o outro, retirei a medicação. Escondi, mas aos poucos foram percebendo que não andava a tomar a medicação. Assim como simplesmente não apareci mais nas consultas, recebia as cartas e não ia. Contra todos, fiz o que achava que era o melhor para mim! Mas não foi, não aguentei dois meses...

   Recuei em tudo, desde deixar de comer, dormir, conviver, chorar, desanimar até que muito pressionada percebi que tinha de ceder e dar ouvidos àqueles que lidavam comigo diariamente e que precisava mesmo de ajuda, quer dos médicos, quer da medicação, quer dos meus familiares e amigos.

   Neste momento, continuo na luta com acompanhamento médico, medicação regular e o apoio dos meus especiais. Desta vez, com mais juízo e com a certeza que nunca mais me vou armar em médica,
auto-medicar-me, ou neste caso, retirar a medicação só porque me sentia inferior às outras pessoas por ter estado num hospital psiquiátrico e ainda por cima ter de depender de medicação estúpida, mas que na realidade me ajuda imenso.

   Hoje, dois anos depois, sinceramente ainda não me sinto curada. Se é esse o termo correcto. Para mim, é como se só tivessem passado dois meses. Praticamente todos os dias tenho situações, palavras, pessoas, objectos que me fazem relembrar os momentos menos bons que vivi quando estava no fundo. Ainda sinto isso muito à flor da pele, ainda não me consegui desapegar, ainda! Sim, porque eu sei que cada vez mais estou perto de vencer esta filha da p*ta que tanto gozo tem em se apoderar das pessoas quando estão mais frágeis. Sim, a depressão é uma filha da p*ta porque não é só o cancro que mata! E acreditem, haverá muitas mais pessoas do que aquelas que imaginam, e muitas até a sofrer em silêncio.

   Este ano também me aconteceu muitas coisas boas, profissionais e pessoais, inclusive aceitei juntar-me com o meu namorado (só porque tive direito a anel) e está a ser uma experiência incrível. E garanto-vos, 2018 pode até não ser um ano bombástico, cheio de mudanças e dos melhores anos, mas daqui a três anos vou estar aqui a partilhar convosco que finalmente estou a 100% a nível de saúde e mais feliz do que nunca.

   Para 2018 basta-me força, esperança, persistência e amor, o resto vem por acréscimo! Para vocês, desejo que todos os vossos sonhos se concretizem e que sejam muito muito felizes. Não desistam dos vossos sonhos, mas principalmente, não desistam de vocês próprios!




(Esta é a porta onde começam todos os meus pesadelos, e onde nenhum de vocês quer certamente entrar! Eu gostava mesmo muito, de um dia ter coragem de lá voltar a entrar só para poder conversar com aqueles que lá estão e não têm visitas à meses, estão lá esquecidos, ou convém estarem esquecidos...)



Mais leve por este desabafo, obrigada! WN?


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